sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Insônia


A noite ultrapassava a primeira metade e logo viriam os ruídos da rua, o vai e vem das calçadas, a cidade retomada em suas cores habituais. Encolhida nas cobertas esperava pelo sono. Nada! Deteve-se então aos ponteiros do despertador na mesinha de cabeceira: tudo se modificava ao passo das horas menos aquela circularidade que os mantinha prisioneiros desde a invenção dos relógios. Pensou nas próprias redomas. Viu-se andando, andando e voltando ao mesmo ponto. Acariciava saudades, remoía memórias... Mas não tinha a perenidade dos ponteiros. Eles seguravam-se ao tempo... Ela? Escorria pelo furo dos instantes. 


M.Cendón 


foto: Maurício Cendón Avila