segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Anônima


"só a mulher entre as coisas envelhece" - diz Adélia Prado em Serenata - mas eu, que sempre fui doida e santa ao mesmo tempo e assaltada de decisão, abro a janela, chego ao balcão e torço que a lua não ilumine meu rosto. E assim, anônima, ouço a voz macia daquele velho moço dos olhos doces que canta no meu jardim. "hoje o céu está tão lindo...”. 


M.Cendón


foto: Marga Cendón